saudade que dói, incomoda,
me bate, me rói e me chuta.
saudade que hoje tá foda,
saudade que é filha da puta.
Arquivos Mensais:junho 2010
minha alma de presente
queria dar-te um presente
que usasses todo dia.
pensei em jóias,
perfumes,
mas preferi poesia.
leva contigo meus versos
pra qualquer canto do mundo
e abre só se quiseres,
como é comum às mulheres,
degustar um amor profundo.
os versos que vertem vivos
da pena com que escrevo
saberão ser incisivos
ao dizer-te o que não devo:
eu te amo mais que a tudo.
quero ver-te, ter-te. nua.
quero mais: que minha alma
seja pura, seja viva.
seja somente tua.
trova tuiteira 069 (bonjour II)
Je veux simplement dire bonjour
Et en vous souhaitant un bon voyage,
À où bonheur n’est pas un mirage.
Et dire que vous êtes mon amour.
(alguém pode, por favor, corrigir esse francês?…)
desire
I love you and I love to say you that
I want you and I want to say you how
I need you and I need you don’t forget
How much I desire to kiss you now.
três semanas
três semanas de castigo.
muito mais do que mereço
muito mais do que careço
muito mais do que consigo.
três semanas de maldade.
muito mais do que sofridas
muito mais do que indevidas
muito mais do que saudade.
insônia tripla
de algum canto do mundo. que não sei.
aguardo um sinal de vida. que não vem.
para amansar meu coração. que já dei.
e tentar dormir um pouco. que faz bem.
daquela mulher
não existe lágrima
não existe lástima
não existe mágoa
ou tristeza
só existe
ode
à beleza
daquela mulher.
não existe angústia
não existe dúvida
não existe pânico
ou trauma
só existe
calma
não existe caos
no universo
só existe paz
em cada verso
de toda poesia
que rima as curvas
e os mistérios
daquela mulher.
não existe sofrimento
não existe pressa.
mas me interessa
bastante
fazer do fim, infinito
fazer do céu, nosso chão.
e num dia de inverno, bonito,
alcançar o coração
daquela mulher.
talvez eu nem te ame
talvez eu nem te ame.
talvez seja vício.
uma forma infame
de um desperdício
de tempo,
de vida,
de amor.
talvez seja só o início,
o primeiro passo
pro hospício.
ou o último
antes
do precipício.
talvez eu nem te ame.
e toda essa febre que eu sinto,
essa insônia
sem parcimônia
de toda noite,
ou essa adrenalina,
sejam apenas a falta de alguma
vitamina.
deve ser isso.
porque não é possível
que eu consiga sentir
o que eu sinto que sinto.
não deve ser amor.
deve ser a parede espelhada
de um labirinto
que me engana.
que me confunde.
porque por mais que eu me inunde
com o melhor vinho
é em ti que eu penso
quando fico sozinho.
talvez eu nem te ame.
às vezes, acontece…
o querer bem, sem fim,
não é o que parece.
o carinho, o desejo,
e a vontade que não passa
de te ter por perto
é armadilha no meu peito,
que esqueci aberto,
e acabou sendo invadido
por um sentimento
bonito
que eu não conhecia.
talvez eu nem te ame.
e dizer que te amo
seja minha grande inverdade.
e não adianta eu pensar que essa saudade
que transborda, em versos, sem freio
porque é maior que o mundo e que a eternidade
seja algo além de um devaneio.
quase sentir o gosto dos teus lábios
de tanto imaginar os teus beijos,
não quer dizer nada.
é apenas mais um tropeço,
um mal do qual padeço,
da minha alma enganada.
talvez eu nem te ame.
hoje escutei tua voz
hoje escutei tua voz.
e isso me basta.
é a força imensurável
que me arrasta,
que me empurra
toda vez que você fala,
canta,
ou sussurra.
me faz tão bem
me encanta,
me renova.
e me mantém.
hoje escutei tua voz.
dia de sorte.
perdi meu medo.
encontrei meu norte.
atendi vazio,
desliguei mais forte.
o dia ficou mais bonito.
e tirei da gaveta
com a minha caneta
a perspectiva do infinito.
escrevo, de novo,
versos, estrofes. e trovas.
palavras em forma de provas
de uma liberdade
irrevogável.
mão, que pertenceu à algema
transforma tinta
em poema.
solta.
livre da saudade,
o mais terrível,
o mas temível
algoz.
a vida volta a ser linda.
porque escutei tua voz.
a folha em branco
a folha de papel,
aguarda, pálida,
o carinho da pena.
que seja verdadeira,
que minta,
mas que encha seus poros
de tinta.
que conte histórias
de heróis,
de vitórias.
ou que entregue segredos.
que a pena,
firme entre os dedos,
seja indiscreta,
e revele, em versos,
a paixão do poeta.
a folha em branco,
aguarda em paz,
a carta de amor, a fala do ator,
tanto faz.
ela só quer atenção.
e espera calada,
lisa ou pautada,
pela inspiração.