Carnaval

Carnaval

O carnaval que eu gosto não está nas ruas,
Não está tampouco em coloridos foliões.
Não está nas moças esculpidas, seminuas
Nem nos desfiles que enfeitiçam multidões.

O carnaval que eu gosto é mais sereno,
Sem batucada, sem bloco. E sem escola.
Tem meu calado querer teu corpo moreno
Que, doce, evolui. Como samba de Cartola.

quase nada

quase nada

já nem pede tanto: um solo de violino,
respirar e, respirando, tragar maresia;
de novo amar como amava, quando menino,
para encontrar o que perdeu, sua poesia.

silêncio

silêncio

tua ameaça de ostracismo
revelou-se, pois, levada a cabo.
descabido fruto do cinismo
a condenar-me, fora eu diabo.

calo-me. alternativa ao pranto.
inútil é dar-me ao desespero
se, desesperado, me ataranto
com meu inócuo destempero.

corte profundo, lobotomia…
inércia. que me faz mais forte.
necessária pausa na agonia
que vez em quando brinda à minha morte.

tostines

tostines

ninguém responde por mais que eu questione
(há tantos anos me mantenho curioso)
se a saudade é combustível do insone
ou a insônia alimento do saudoso…

01/12/11

01/12/11

meu anjo, meu doce,
minha amiga,
parceira na labuta,
companheira de luta,
boa de briga.

sempre musa.

mudou a vista.
o que era praia,
virou Paulista.

mudou, bastante, a geografia.
mas não há de sumir,
nem morrer,
a poesia.

por que morreria?

são só os melhores desejos…
um bem querer sem fim,
um mundo perfeito,
que trago no peito,
dentro de mim.
e é ele que eu quero que aconteça
na tua cabeça,
no teu dia-a-dia.

uma vida de conquistas,
mas em harmonia.
e que cada passo teu,
junto ou não do meu,
encontre alegria.
que nunca mais haja dor,
só exista amor, amor e amor.
e que o carinho a te cercar seja tanto
que tenhas certeza que vem de Deus
esse acalanto.

que possas escolher,
que possas fazer,
ter
à disposição,
coisas que te preencham a alma,
a mente,
e o coração.

que viver feliz pra sempre seja o teu lema!
que se mantenha perene a sensação de paz.
e que teu único problema, teu mais terrível dilema,
seja escolher o sabor do teu häagen-dazs!

10 anos

10 anos

E de repente, não mais que de repente
Aos vinte e três dias de novembro,
Como se fosse hoje, bem me lembro,
Veio ao mundo o meu melhor presente.

Nos meus braços, uma dádiva divina
Tão frágil, tão forte. Tão linda. Tão minha.
Eu era pai daquela menininha…
Apaixonado por Ana Carolina.

Muitos sonhos, desejos. Muitos planos,
Uma vida nova, uma estrada mais bonita,
Em cada abraço, alegria infinita,
Com a minha moça, hoje com dez anos.

na morada

na morada

não sei se sinto o que sinto
por vaidade ou instinto
ou se por medo do nada.
mas o que é fato inegável
é que mesmo que instável
meu peito é tua morada.

180 dias

180 dias

difícil é resistir a te dar mais um poema,
fingir que a distância não é problema
e que não encontro saudade
em cada canto quieto dessa cidade.
difícil é cessar o verbo,
cassar o verso,
calar.
difícil é te amar.
mais ainda é parar,
é uma espécie de vício
que sempre volta ao início.

é uma espécie de hospício
de só um louco.
difícil é pouco.
é mais que isso,
é o inferno.
angustiante.
bem pior que o de Dante.

difícil é tirar você da cabeça,
por incrível que pareça,
depois de todos esses dias,
de todas as poesias
ainda há muito de você dentro de mim.

não era pra ser tão difícil assim.

trova tuiteira 100

trova tuiteira 100

pela pele branca, encadernada,
correm versos em lágrimas roxas.
como já correu, apaixonada,
a minha mão pelas tuas coxas.

trova tuiteira 099

trova tuiteira 099

saudade é grito calado,
velado, que ninguém escuta.
saudade é alma do fado,
é foda. é filha da puta.